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terça-feira, 20 de outubro de 2015

Planta e Raiz, Oriente e Criolo marcam presença no Encontro das Tribos em São José dos Campos

Camila Pasin

O reggae e o rap mostraram mais uma vez sua união na sexta-feira (16) em São José dos Campos/SP. Organizado pela Sound Projects Eventos, o Encontro das Tribos reuniu Planta e Raiz, Criolo e Oriente em uma só noite. Em torno das 22 horas, as primeiras pessoas começavam a chegar no Clube de Campo Luso Brasileiro. Além do salão onde aconteceram os shows, havia também espaços externos, um para convivência com mesas e barracas de vendas de comida, artesanato e produtos das bandas, e do outro lado do salão, uma tenda eletrônica com uma vista privilegiada da cidade.

O festival se desenrolou de forma espontânea. Das boas vibrações do Planta e Raiz às denúncias de Criolo às questões sociais, até as densas críticas políticas de Oriente, a energia do Encontro das Tribos foi se intensificando ao longo das horas.

Com um setlist repleto de canções de toda a carreira da banda, Planta e Raiz levou paz e ritmo ao público presente no encontro. “Com Certeza”, “O Que Você Disse”, “Tô no Barato” e “Se Liga Naty Dread” foram algumas das músicas contempladas na apresentação.

Depois, foi a vez de Criolo e sua banda dominarem o palco do Luso Brasileiro, começando por “Convoque seu Buda”, música que também dá nome ao último disco lançado pelo músico, em 2014. Com uma performance inagualável, Criolo exalou emoção ao expressar através de suas canções sentimentos e críticas. Mostrou também a pluralidade de seu rap, com o samba em “Fermento pra Massa” e reggae na “Pé de Moleque”, além de outras influências que integram o repertório no cenário hip-hop.


Direto de Niterói, o grupo de rap Oriente fechou a noite. Bruno Silva foi quem deu os primeiros acordes com seu violino, introduzindo os versos de Nissin Instantâneo e Chino. Cantaram diversas músicas do disco “Desorientado”, como “Ideologia” e “Vagabundo Também Ama”, e deram uma prévia do próximo álbum, “Yin Yang”, com as canções já lançadas como singles “O Exército de Ninguém” e “Nome aos Bois”, além dos improvisos e beatbox de Geninho. Com críticas a artistas pops da atualidade, Oriente clamou pela contra-cultura e reinvidicou justiça na política brasileira ao iniciar um coro contra o presidente da Câmara Eduardo Cunha.


Com a aproximação do sol, se encerrava o Encontro das Tribos em São José dos Campos, que deixou marcado na história do Luso grandes nomes da música atual reunidos numa mesma noite.

Confira também a galeria de fotos do evento feita pelo Entre Bandas: 
(Você também pode ver o álbum das fotos clicando aqui).

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Bora Viver!

Camila Pasin

Formada em 1998, a banda Planta e Raiz é um dos destaques do reggae nacional e vem reunindo uma crescente legião de fãs ao longo dos anos. Completando 15 anos de estrada em 2013, o grupo lançou seu oitavo disco, o projeto duplo “Bora Viver” e “De Sol a Sol”. A produção ficou por conta de Zeider, Samambaia e Franja e foi realizada de forma descontraída no estúdio da própria banda, em São Paulo. O grupo está bastante empolgado com o álbum, que ainda contou com participações especiais, dentre elas a cantora Claudia Leitte, Sabotinha (filho do rapper Sabotage), Fernando Anitelli (Teatro Mágico), Di Ferrero (NX Zero), Stereodubs e Tati Portela (Chimarruts), a qual participou da canção “Linda”, novo single do disco.

O Planta e Raiz está percorrendo diversas cidades do Brasil com a Tour Bora Viver e tem a pretensão de tocar novamente fora do país, como já fizeram no ano passado.

Leia a entrevista do Entre Bandas com Samambaia, baixista do Planta e Raiz, que conta sobre os 15 anos de banda, as dificuldades e as vantagens de trabalhar de forma independente, a produção dos últimos discos, e muito mais! Samambaia fala também sobre o show na cidade de Bauru, que aconteceu na sexta-feira (17/05). Olha só:

Samambaia - Planta e Raiz em Bauru 
Como você define o disco duplo “De Sol a Sol” e “Bora Viver”, lançado este ano?
Eu defino até como um dos melhores CDs da banda, pois retrata de forma bem verdadeira o que o Planta e Raiz realmente é. Nós que fizemos tudo, desde a produção até a mixagem. Acho que é um dos discos que mais descreve a cara da banda mesmo, nós nos envolvemos bastante desde o começo até a finalização do trabalho.

Musicalmente, acredito que teve uma grande evolução comparando com o começo da banda, quando nós ainda não tínhamos experiência de gravação e tudo mais. Além disso, a banda tem buscado se aprofundar mais nas raízes. O disco teve muitas influências originais, bem reggae mesmo.

E as parcerias na composição do disco?
No novo disco, nós contamos com algumas participações, o que veio em uma hora bem especial, levando em conta a dificuldade que enfrentamos ao gravar e lançar um CD autoral. Ficamos muito felizes em poder contar com essas participações para fortalecer nosso disco, com certeza elas deram muita força para o Planta e Raiz e engrandeceram muito a banda. Foi massa a galera ter vindo aqui no estúdio, que é na garagem da minha casa.

Planta e Raiz em Bauru

Como foi a gravação?
O disco foi gravado de forma independente. Fomos ganhando uma experiência com a gravação em estúdios grandes, com o Rick Bonadio, no Midas. Durante esses anos todos, eu fui pegando experiência na parte técnica de gravação, masterização, mixagem, e captação de som. Eu tenho um estúdio desde que começamos a banda, onde acontecem os ensaios desde 1998.



Qual a diferença entre trabalhar com gravadora e de forma independente na produção de um álbum?
Eu valorizo muito o fato de o Planta e Raiz ter trabalhado com o Rick Bonadio, nós aprendemos bastante. Admiro muito e sou fã dele e de sua equipe até hoje, o Midas é uma mega produtora. A diferença é que agora nós conseguimos andar com as próprias pernas e conseguimos produzir a nossa própria música, nosso próprio disco. Acabamos transferindo uma energia muito maior pelo envolvimento mais intenso da banda com a produção do disco. 

É importante levar em conta também o fato de trabalharmos em um estúdio que frequentamos há anos, onde nós já nos sentimos em casa. Existem aqueles momentos em que queremos dar uma parada. Em estúdio próprio, é possível fazer isso. Já em estúdio grande, é mais complicado, porque existem funcionários trabalhando ali, então temos que seguir certos horários.

Independente, temos mais liberdade, conseguimos trabalhar mais à vontade. Na gravação do último disco, tiveram dias em que decidimos não gravar, e outros em que ficamos até de madrugada. Nos sentimos mais à vontade, e isso transfere para o disco também. Se fôssemos gravar em outro estúdio, teríamos que pagar a hora, e acaba tendo uma pressão natural.

Planta e Raiz em Bauru
E as dificuldades?
Existem dificuldades por causa dos equipamentos, que são muito caros. Nós temos alguns equipamentos, mas precisaríamos de muito mais para ficar igual aos estúdios grandes. Mas, por outro lado, existem coisas que compensam. É possível fazer de outra forma, não existe regra. Você pode fazer com um equipamento de cem mil dólares, mas você pode fazer também com uma placa de 500 reais a gravação. É possível que saia diferente, mas não podemos falar o que é melhor ou pior, não é?!

No disco “Planta Adubada” vocês regravaram músicas da banda com uma levada mais instrumental que se diferenciou dos outros discos. De que forma aconteceu essa gravação?
O “Planta Adubada” nós gravamos em um clima bem descontraído também, na casa do Buguinha, produtor desse disco. A gravação foi muito legal! Cada um ficou em um lugar. Eu e o Kuyo, baterista da banda, ficamos na sala; o Juliano ficou na cozinha com a percussão; os caras do metal ficaram lá fora com os microfones; e o Zeider também ficou lá fora, em outro cantinho. Foi muito legal, cada um em um canto fazendo seu som. Depois, foi feita uma arte do Dub que ficou animal.

Fizemos 250 cópias em vinil do disco com essa nova roupagem das músicas e já vendemos tudo!

Durante esses 15 anos de estrada, qual foi o maior aprendizado?
O maior aprendizado foi conviver com as pessoas, saber ouvir e se expressar. Isso a gente aprende a cada dia. A convivência de uma banda é muito legal, a gente acaba vivendo até mais entre os brothers do que com a família mesmo. Torna-se outra família.

Vocês estão fazendo campanha nas redes sociais para o pessoal votar “Planta e Raiz” no Prêmio Multishow. Qual é o reconhecimento do reggae na mídia?
O reggae sempre teve seu espaço, mas poderia ter um pouco mais. No nosso caso, estamos fazendo campanha para a galera votar no Prêmio Multishow, mas o nosso nome não aparece nem entre os destaques das bandas. Eu acho, portanto, que o reggae poderia ter um pouco mais de visibilidade na mídia. Mas nós vamos lutando, e o importanto é unir as bandas, para elas não desistirem e continuarem na ativa. É comum vermos músicos desistirem no meio da estrada e pararem de tocar.

O Planta e Raiz sempre foi guerreiro durante esses 15 anos. Claro, ainda é necessário fortalecer o reggae no país, existirem mais bandas e tudo mais, para poder ter mais acesso à mídia. Ao mesmo tempo, acredito que o reggae não precisa disso. O reggae sempre esteve envolvido com as pessoas que gostam de boa música, que vão atrás e que, uma hora ou outra, acabam conhecendo.

Planta e Raiz em Bauru
Foi sancionada, no dia 14 de maio, uma lei que instituiu o Dia Nacional do Reggae no Brasil, em homenagem a Bob Marley. Qual a sua opinião sobre isso?
Eu acho legal o Dia Nacional do Reggae, é bacana. Mas eu me preocupo mais com a situação do nosso país. Não estou muito preocupado com o “dia disso, dia daquilo”. As escolas deveriam ter mais infraestrutura e o dinheiro deveria sem melhor aplicado. Ao invés de os políticos prometerem mais hospitais e mais escolas, eles deveriam arrumar os que já existem. 

Enfim, eu me preocupo com outras coisas em relação a leis e decisões governamentais. Acredito que o país só vai mudar se a “parada” realmente for séria. O dia do reggae é todo dia, quando o cara acorda cedo e vai trabalhar, volta no fim do dia e ainda tem que se preocupar com a família e tudo mais. Para mim, reggae é isso, o dia-a-dia do trabalhador do gueto.

Como foi o show do grupo na cidade de Bauru, realizado dia 17 de maio?
Eu gostei bastante da galera de Bauru, fiquei bem feliz com o show. Conhecemos algumas pessoas em Bauru nesse último período, que agitaram esse show. Fiquei muito feliz com o movimento da galera para levar a banda à cidade. Gostei demais e quero voltar mais vezes. Acho que ainda temos muito show para fazer em Bauru.

E que som você indica para a galera ouvir?
Eu curto bastante Ziggy Marley e Damian Marley. A família Marley é bem legal de conhecer. Mas eu acho que Bob Marley é, realmente, o rei do reggae. Todas as pessoas que querem tocar em uma banda devem conhecer e ouvir muito o Bob para se aprofundar nele musicalmente. Em minha opinião, é claro. Além disso, indico Diana, SOJA, os brasileiros do Ponto de Equilíbrio... Ainda acho que tem muita coisa boa surgindo por aí.

Para finalizar, você quer deixar um recado para o pessoal que ler a entrevista?
Quero dar um abraço na galera de Bauru e região, e dizer que gosto muito do interior de Sampa. Queremos voltar mais vezes para tocar e curtir um pouquinho aí, porque é muito bom. Quando fomos para Bauru tocar, estava maior chuva aqui em São Paulo, e aí, maior sol. Então, foi um grande prazer! (risos). 

Planta e Raiz em Bauru

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Planta e Raiz leva reggae nacional ao solo japonês em turnê





Grupo de reggae Planta e Raiz, que realizará dois shows em solo japonês no próximo fim de semana, fala sobre a expectativa para a tour

Uma das maiores bandas de reggae do Brasil, Planta e Raiz, está embarcando hoje (18) para uma turnê no Japão. O grupo se apresentará no outro lado do planeta nos dias 22 e 23 de setembro de 2012. O primeiro dia será em Gunma e o segundo dia em Nagoya, Central Park, para o festival “Dia do Brasil”.

O vocalista da banda, Zeider Pires, fala ao Entre Bandas sobre a expectativa dos integrantes do Planta e Raiz para a viagem:  A sensação de saber que, através da nossa música, chegaremos do outro lado do mundo é indescritível. Posso dizer que o principal sentimento é de felicidade, e a sensação de que ficamos mais fortes para continuar caminhando”. O grupo, que já tocou ano passado na Austrália, está ansioso para conhecer a “cultura milenar” japonesa e, também, para levar o reggae nacional aos brasileiros que moram no Japão.

Familiares acompanharam integrantes do grupo Planta e Raiz para o
embarque ao Japão, onde realizarão dois shows
Os regueiros estão cheios de novidades, com um novo disco, que tem previsão de lançamento para esse mês. O álbum, intitulado “Bora Viver”, é o oitavo da banda e contém participações especiais, como a Tati do Chimarruts, Helio Bentes do Ponto de Equilíbrio, Di Ferrero do NX Zero, entre outros. A música “Flores no meu jardim”, que conta com a participação da cantora Cláudia Leitte, foi disponibilizada para download no site da banda.

Saiba mais: Assista à entrevista, em vídeo, com Zeider Pires, que fala sobre a gravação do novo disco, aqui.



“A galera no Japão vai nos receber em uma ótima fase, já que acabamos de completar quatorze anos desde a nossa primeira apresentação”, completa o vocalista. Sobre o setlist, ele já adianta: “Como tem muitas pessoas que estão morando lá há bastante tempo, tocaremos músicas do começo da nossa carreira, mas aproveitaremos também a oportunidade para apresentar algumas novas canções”.



Camila Pasin

terça-feira, 3 de julho de 2012

Entrevista Planta e Raiz


Foto: Camila Pasin
O grupo de reggae Planta e Raiz realizou show inédito no sábado (30) na cidade de São José dos Campos/SP em homenagem a Luiz Gonzaga, o Rei do Baião

Em época de festa junina, nada mais pertinente do que uma bela homenagem ao Rei do Baião, o grande compositor Luiz Gonzaga, que completaria seu centenário em 2012. A homenagem foi feita pela banda independente Planta e Raiz, que uniu o reggae ao baião e forró do pernambucano Luiz Gonzaga.  

Filhos dos integrantes da banda também aproveitaram o show para
 curtir junto aos pais. Foto: Camila Pasin
Grandes sucessos como Asa Branca, O Xote das Meninas e A Vida de Viajante fizeram parte do repertório do show inédito. Além disso, o sexteto Planta e Raiz também tocou músicas de sua própria autoria, incentivando o público a dançar em cada minuto do show. 

O vocalista Zeider conta para o Entre Bandas, em entrevista, sobre os recursos utilizados para a gravação do disco Planta Adubada, lançado ano passado, além da gravação do novo álbum, que tem previsão de lançamento para o início do segundo semestre. 

Zeider comenta, inclusive, sobre a importância e influência da música nordestina atualmente.  Assista:



Pedimos desculpas pela baixa qualidade da imagem, que se deve ao ambiente escuro em que o vídeo foi gravado.  

Camila Pasin