Camila Pasin A trajetória na música, o rap como instrumento de mudança social e sua ascensão na mídia. Além disso, a importância da união entre os estilos musicais, e a forma em que são transmitidas mensagens sobre a pobreza e violência são alguns dos assuntos sobre os quais conversamos com Criolo e o DJ Dan Dan em entrevista ao Entre Bandas. Confira só:
Conversamos com Nissin Instantâneo, rapper do grupo Oriente, sobre a influência da cultura oriental na banda, o novo disco Yin Yang, o rap carioca e paulista, esporte e mais. Confira só:
Camila Pasin Confira só a conversa que tivemos com André Gonzales e Eduardo Borém, do Móveis Coloniais de Acaju, sobre os dez anos do disco "Idem" e mais:
Para saber mais sobre o show, que aconteceu no sábado (10) no Sesc São José dos Campos, e ver a galeria de fotos dessa animada festa, clique aqui. Valeu, Móveis!
A
banda Seu Antônio surgiu em São Manuel, no ano de 2011. O
repertório composto apenas por covers teve seus dias contados e
composições próprias ganharam espaço nos shows, tendendo a ser o
carro-chefe do grupo. Rodolfo Nicolosi, guitarrista e vocalista, fala
um pouco mais sobre a trajetória e amadurecimento da banda.
Da
esquerda para direita: Henrique Franco - baixo e banjo; Fernando
Penteado (de boné) - gaita; César Morais - bateria; Rodolfo
Nicolosi - guitarra e voz; Natan Gomes - guitarra e backing vocal
Como
foi o processo de introdução de músicas próprias num repertório
inicialmente composto apenas por covers? A aceitação do público é
boa? R:Dá
um pouco de medo no começo. Imagino que seja natural, mas é meio
assustador saber que ninguém está ali para ouvir o que você compôs
e sim pra escutar os mesmos covers de sempre. Isso acontece muito no
meio do rock e das casas de show/ baladas nas quais nos apresentamos.
Por outro lado, é muito gratificante tocar um som próprio e ver uma
cabeça ou outra sinalizando uma afirmação ou notar uma pessoa
comentando com a outra “bom, ein?!”. Mas temos muita coisa
autoral e não queremos que elas se percam: espalhamos nossos sons em
doses homeopáticas no repertório e assim, tentamos mostrar nosso
trabalho sem desanimar a festa do pessoal que esperava só clássicos.
A
música autoral caminha a passos lentos no Brasil, principalmente
para bandas que ainda estão se consolidando (seja no cenário
underground ou mainstream). Como um grupo que quer mandar o próprio
som, quais são as maiores dificuldades que vocês encontram no
caminho?
R:
Inicialmente,
é muito difícil fazer contato com casas noturnas que aceitem
contratar nossos serviços por um preço minimamente justo. Depois
disso, rola o trampo de convencer o dono do estabelecimento – e
posteriormente o público – de que vai ser legal mandar algumas
coisas autorais e tudo mais.
Apesar
de caminhar a passos lentos, a insistência de alguns “sobreviventes”
do meio artístico, como por exemplo produtores e donos de bares, faz
as bandas autorais darem uma respirada a mais e seguir em frente com
o sonho de fazer o próprio som ser ouvido por aí.
As
dificuldades não são só externas não. É realmente muito difícil
encontrar pessoas que estejam completamente alinhadas ao propósito
de fazer música autoral, as dificuldades são chatas e fazem os
próprios músicos terem vontade de desistir e seguir tantos outros
que ficaram pelo caminho e acabaram tocando os mesmos covers noite
adentro. (Talvez minha fala aqui tenha uma pitada de recalque ou
coisa que o valha, mas é muito triste mesmo ver a cópia e a
reprodução fiel das mesmas músicas de sempre serem mais
valorizadas que as vozes, estilos de composição e artistas que
buscam o novo.)
Como
se dá a relação de vocês com o público? As redes sociais são a
melhor forma de interação e divulgação da banda?
R:
Muito
prazeroso, de verdade, ver qualquer coisa que o Seu Antonio faça ser
reconhecida. Quem não gosta de um aplauso não é mesmo?! Temos
certo reconhecimento na nossa região e sempre que tocamos pelas
cidades do interior, temos a certeza de que determinados grupos de
pessoas vão estar por lá! E isso só acontece, a princípio, por
causa das redes sociais. Por exemplo, quando vamos tocar em algum
lugar pela primeira vez, ninguém nos conhece, mas é através de
plataformas como o Facebook, Soundcloud e Youtube que encurtamos a
distância entre nosso som e o nosso público.
Depois,
presencialmente, esse trabalho de consolidação da banda – em
vários níveis – fica por conta da interação banda com a plateia
e vice versa, mas é indiscutível o poder das redes sociais como o
iniciador da formação de uma base de (eventuais) fãs.
Seu
Antônio e… Seu Antônio! Avô do baterista é quem dá nome ao
grupo
O
estilo de vocês foi se moldando ao longo do tempo, adquirindo
influências do country, por exemplo. Esse processo foi pensado ou
acontece naturalmente quando vocês compõem? R:
Seria
injustiça dizer que o nosso estilo foi absolutamente e
espontaneamente concebido. Ouvimos bandas como Pride & Glory,
Lynyrd Skynyrd e Allman Brothers e isso influencia grandemente a
composição dos sons autorais do Seu Antonio. Inicialmente, é bem
verdade, nem pensávamos no nosso estilo tal como o conhecemos hoje,
mas as influências do hard rock por parte de alguns dos membros e a
força com a qual o blues e o country se misturam em outros
integrantes, certamente fez do nosso som o que ele é hoje: essa
mistura das histórias contadas nas letras com o peso dos arranjos
inspirados nos acordes menores e mais melódicos.
Além
do mais, somos do interior e gostamos de acreditar que o sertanejo de
raiz faz parte das nossas formações musicais; por isso utilizamos,
em algumas de nossas músicas, a viola e o banjo que, quando unidos
ao som das guitarras, geram uma sonoridade que agrada.
De
curto a longo prazo, quais são os próximos passos traçados para a
banda? Vocês pretendem gravar o primeiro CD?
R:
A
gravação de um CD para ampliação da divulgação dos nossos sons
e fomentação do cenário independente na região e, quem sabe, no
Brasil. Para tal, seguimos tocando e arrecadando fundos para a
produção desse disco, que será, assim esperamos, ainda em 2015 e
de maneira independente. Agora
chega de papo. Confira o som Frank and Breezy, gravado no programa
Som e Proza, da Tv Unesp: