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quinta-feira, 28 de abril de 2016

Em abril, projeto “Todas as Notas” recebe show do trompetista Guizado


Dia 28, quinta, às 20h, o Sesc em São José dos Campos recebe show do trompetista Guizado, pelo projeto “Todas as Notas”. 

No palco, o artista apresenta seu novo trabalho, "O Voo do Dragão", resultado de estudos sobre a música erudita contemporânea de autores como Schoenberg, Stravinsky, Lizst, além dos contemporâneos Wayne Shorter e Thelonious Monk, adicionado a pitadas de punk rock e free jazz. O trabalho mostra também as mudanças, transformações e aprendizados vividos pelo músico ao longo desse período, somados a toda a sua bagagem anterior. 

Guizado procurou por uma forma de compor menos programada, preferindo o uso dos elementos eletrônicos, alternando momentos mais orgânicos com momentos em que a música eletrônica emerge com força. 

O músico, que assume trompete, arranjos e programações eletrônicas, vem acompanhado por Allen Alencar (guitarra), Thiago Duar (synths/baixo), Thiago Babalú (bateria) e Caetano Malta (synths).

A apresentação acontece no Auditório do Sesc. Os valores dos ingressos variam de R$5,00 a R$17,00. Recomendação etária 12 anos.

O Sesc São José dos Campos fica na Av. Adhemar de Barros, 999 – Jd. São Dimas. Mais informações pelo telefone 12.3904.2000 e no site sescsp.org.br/sjcampos

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

V Semana do Hip Hop promove diversas atividades culturais gratuitas em Bauru


Com oficinas e debates, a Semana Municipal do Hip Hop de Bauru chega à sua quinta edição com grandes shows e mostra audiovisual

2015 é o ano do Hip Hop e em Bauru, o movimento se consagra como um dos maiores articuladores políticos, culturais e sociais da cidade. Depois de mais de 20 anos de luta, em agosto inauguramos a Casa do Hip Hop de Bauru e para celebrar mais esta conquista, a V Semana Municipal traz shows de artistas regionais e de renome nacional como Rapadura MC, Inquérito, Crônica Mendes, Thaíde, Banks BackSpin, Marcelinho BackSpin, Dj Erick Jay e Emicida. No palco Interior tem voz, contaremos com a participação especial de Crônica Mendes e outros convidados. Em parceria com o SESC, haverá também o show inédito de Tássia Reis, na quarta-feira 11 de novembro, representando a força e o poder das mulheres na cultura Hip Hop.

Há dois anos, a Semana Municipal de Hip Hop de Bauru se tornou política pública por meio de mobilização social pela criação e aprovação da Lei 6258/2013. Dessa maneira, a Secretaria de Cultura se tornou uma parceira para a realização da III Semana Municipal do Hip Hop naquele ano e de lá para cá, a parceria e as atividades conjuntas só tem aumentado.

A Semana. Desde 2011, a Semana Municipal do Hip Hop de Bauru é organizada pelo Ponto de Cultura Acesso Hip Hop de maneira independente, horizontal e repleta de parcerias. Uma das atividades consagradas do festival é a realização do Combo 5 Elementos nas escolas municipais e estaduais da cidade durante a Semana do Hip Hop. O projeto leva conhecimento e mini-oficinas dos cinco elementos do Hip Hop (graffiti, breaking, DJ, Rap e conhecimento) para escolas municipais e estaduais, incluindo centros de reabilitação. O projeto  também conta com a participação da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru que levanta questões de gênero para estudantes das escolas, chamando atenção para igualdade de gênero e para a violência doméstica como um problema social e coletivo.

Além disso, o festival também traz importantes debates sobre o movimento Hip Hop regional e sobre os movimentos negro e periférico. Em 2015, acontecerá a I Feira de Economia Solidária de Produtos do Hip Hop  do Estado de São Paulo durante os últimos dois dias da Semana. Ao longo do sábado, 14 de novembro , também acontecerá um debate sobre Economia Solidária com representantes da Rede Nacional das Casa da Cultura Hip Hop e Empreendimentos Solidários, professores universitários e pequenos empreendedores.

Neste ano, a Casa do Hip Hop de Bauru também tem uma novidade muito especial, ainda vinculada à economia solidária e à sustentabilidade do meio ambiente e dos modos de produção. No dia 07 de novembro acontecerá o lançamento da coleção oficial de roupas da instituição, na Estação ferroviária. Com estampas originais e desenvolvidas especialmente para o público bauruense, o desfile de moda “Favela Fashion Zic” privilegia os elementos da cultura e ícones de resistência.


Grupo Inquérito participa da abertura da V Semana do Hip Hop de Bauru
(Créditos: Felipe Moreno e Lucas Rodrigues)
Outro momento importante é a realização do II Fórum Municipal de Hip Hop de Bauru, que acontecerá no SESC, também no dia 7, para o levantamento de demandas, análises de conjuntura do movimento local e balanço de conquistas no último ano. Também serão exibidos documentários e filmes como Profissão MC, Dogtown e O Rap pelo Rap, nos bairros Mary Dota, Geisel e na Casa do Hip Hop.

Programação. A Semana Municipal do Hip Hop de Bauru vai acontecer de 6 a 15 de novembro, com TODAS as atividades gratuitas na Estação Ferroviária, Casa do Hip Hop de Bauru, Sesc Bauru e parque Vitória Régia.

Dia 6/11 - Sexta-feira
Abertura da Exposição “Quem é quem?” do Coletivo Urbano de Arte- CURA de São Paulo.
Horário: 19h
Local: Estação Ferroviária de Bauru.

Cine Hip Hop
Filme: Os Reis de Dogtown (história do skate nos EUA)
Local: Centro Unificado das Artes e do Esporte - Rua Maria José Silvério dos Santos com Avenida Lúcio Luciano, Bauru 22/ região do Jardim Redentor
Horário: 20h

Show Além da Rima e Banda
Horário: 21h
Local: Estação Ferroviária de Bauru.

Dia 7/11 - Sábado
Encontro Estadual de Graffiti
Horário: 9h
Local: Viaduto Nuno de Assis

Cortejo Hip Hop
Horário: 10h
Local: Calçadão da Batista de Carvalho.

II Fórum Municipal de Hip Hop de Bauru
Horário: 14h
Local: Sesc Bauru (Av. Aureliano Cárdia 6-71)

Desfile de moda urbana “Favela Fashion Zic”
Lançamento da coleção de moda Casa da Cultura Hip Hop de Bauru, desenvolvido por BlacStar Design. Discotecagem DJ Moonhbeats
Horário: 20h
Local: Estação Ferroviária de Bauru

Dia 8/11 - Domingo
Abertura Cultural da Semana do Hip Hop 2015
Shows com Inquérito, Rapadura, Thaide e artistas de Bauru (Além da Rima, Brisa MC, Issa Paz, JotaF, Abaomi)
Horário: 14h
Local: Parque Vitória Régia

Dia 9/11 - Segunda-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h
Local: Escola Estadual Morais Pacheco. (R. Primeiro de Maio, 16-10. Parque Boa Vista)

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h
Local: Escola Estadual Morais Pacheco. (R. Primeiro de Maio, 16-10 - Parque Boa Vista)
Oficina de Fanzine
Horário: 14h
Local: Casa do Hip Hop Bauru

Cine Hip Hop
Filme: Profissão MC
Horário: 20h
Local: Praça Celeste Fassone, Núcleo Habitacional Mary Dota (em frente à Escola Ada Cariani) - Avenida Dr. Marcos de Paula Rafael

Mesa redonda com o tema: “Redução da Maioridade Penal”
Horário: 20h
Local: Centro Cultural de Bauru

Dia 10/11 - Terça-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h
Local: Sorri Bauru. (Avenida Nações Unidas, 53-40 - Geisel)

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h
Local: Sorri Bauru. (Avenida Nações Unidas, 53-40 - Geisel)
Oficina de Fotografia
Horário: 19h
Local: Casa do Hip Hop Bauru
Oficina de Capoeira Angola
Horário: 19h30
Local: Casa do Hip Hop Bauru

Oficina de MC com JotaF e RapNobre
Horário: 19h30
Local: Casa do Hip Hop Bauru

Cine Hip Hop
Documentário: O RAP pelo RAP
Horário: 20h
Local: Casa do Hip Hop de Bauru

Dia 11/11 - Quarta-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h
Local: Escola Estadual Ver. Antônio Ferreira de Menezes. R. Cap. Mario Rossi, 9-37

Oficina de Graffiti
Horário: 9h
Local: Casa do Hip Hop Bauru
Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h
Local: Escola Municipal

Oficina de Dj com DJ Ding
Horário: 14h
Local: Casa do Hip Hop Bauru
Bate Papo: Produção Independente e mulheres no Hip Hop com Tássia Reis e Frente Feminina de Hip Hop de Bauru
Horário: 19h
Local: Sesc Bauru

Show com Tássia Reis
Horário: 21h
Local: Sesc Bauru

Dia 12/11- Quinta-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h
Local: Escola Profª Ada Cariani Avalone.  Av. Dr. Marcos de Paula Rafael, 1. Mary Dota.

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h
Local: CIPS Bauru. R. Inconfidência, 2-28 - Centro
Oficina de DJ com DJ Scratch
Horário: 14h
Local: Casa do Hip Hop Bauru
Oficina de Stencil
Horário: 14h
Local: Casa do Hip Hop Bauru

Workshop “Nos tempos da São Bento” com Marcelinho BackSpin
Horário: 18h
Local: Sesc Bauru
Celebração do Dia Mundial do Hip Hop.
Apresentação dos 4 elementos que compõe a Cultura Hip Hop, Rap, Breaking, Graffiti, Dj + Batalha de Mcs.
Horário: 20h
Local: Casa do Hip Hop de Bauru

Dia 13/11 - Sexta-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h
Local: Escola Municipal Geraldo Arone.  R. João Prudente Sobrinho - Nucleo Hab. Fortunato Rocha Lima, Bauru - SP

Oficina de Graffiti
Horário: 9h
Local: Casa do Hip Hop de Bauru

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h
Local: 13/11- 14h30 - Legião Mirim Endereço: Av. Dr Nuno Assis, 13050

Sarau do Viaduto especial Semana do Hip Hop com Banks Back Spin
Horário: 20h
Local: Avenida Nações Unidas, embaixo do viaduto da Duque de Caxias

Dia 14/11 - Sábado
Cortejo Hip Hop
Horário: 10h
Local: Calçadão da Batista de Carvalho
Batalha de Breaking
Horário: 13h
Local: Casa do Hip Hop Bauru
I Feira de Economia Solidária de produtos do Hip Hop do Estado de São Paulo.
Horário: 14h-22h. Debate sobre Economia Solidária às 15h.
Local: Parque Vitória Régia

Palco Interior tem voz
Shows com Crônica Mendes, CURA e grupos de Bauru: DJ Ding, Bruno BL, Negra Lud, Preta Rara, Dois1Dois, Daniel G e Pqenoh.
Horário: 17h
Local: Anfiteatro Vitória Régia

Dia 15/11 - Domingo
I Feira de Economia Solidária de produtos do Hip Hop do Estado de São Paulo.
Horário: 14h-22h
Local: Parque Vitória Régia

Encerramento da Semana Municipal do Hip Hop 2015
Shows com Feniks, David MC, Betin MC, Curta Metragem, Thiago NGO, DJ Erick Jay, Menti Blindada e Emicida
Local: Parque Vitória Régia

Realização.  A V Semana Municipal do Hip Hop de Bauru é realizada em parceria entre Ponto de Cultura Acesso Hip Hop, Instituto Acesso Popular, Casa do Hip Hop de Bauru, Secretaria Municipal de Cultura, Museu da Imagem e do Som de Bauru, Frente Feminina de Hip Hop de Bauru, Biblioteca Móvel Quinto Elemento e promoção TV TEM.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Entrevista Criolo

Camila Pasin

A trajetória na música, o rap como instrumento de mudança social e sua ascensão na mídia. Além disso, a importância da união entre os estilos musicais, e a forma em que são transmitidas mensagens sobre a pobreza e violência são alguns dos assuntos sobre os quais conversamos com Criolo e o DJ Dan Dan em entrevista ao Entre Bandas. Confira só:



Leia também: Planta e Raiz, Oriente e Criolo marcam presença no Encontro das Tribos em São José dos Campos

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Entrevista Oriente

Camila Pasin

Conversamos com Nissin Instantâneo, rapper do grupo Oriente, sobre a influência da cultura oriental na banda, o novo disco Yin Yang, o rap carioca e paulista, esporte e mais. Confira só:



Leia também: Planta e Raiz, Oriente e Criolo marcam presença no Encontro das Tribos em São José dos Campos

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Planta e Raiz, Oriente e Criolo marcam presença no Encontro das Tribos em São José dos Campos

Camila Pasin

O reggae e o rap mostraram mais uma vez sua união na sexta-feira (16) em São José dos Campos/SP. Organizado pela Sound Projects Eventos, o Encontro das Tribos reuniu Planta e Raiz, Criolo e Oriente em uma só noite. Em torno das 22 horas, as primeiras pessoas começavam a chegar no Clube de Campo Luso Brasileiro. Além do salão onde aconteceram os shows, havia também espaços externos, um para convivência com mesas e barracas de vendas de comida, artesanato e produtos das bandas, e do outro lado do salão, uma tenda eletrônica com uma vista privilegiada da cidade.

O festival se desenrolou de forma espontânea. Das boas vibrações do Planta e Raiz às denúncias de Criolo às questões sociais, até as densas críticas políticas de Oriente, a energia do Encontro das Tribos foi se intensificando ao longo das horas.

Com um setlist repleto de canções de toda a carreira da banda, Planta e Raiz levou paz e ritmo ao público presente no encontro. “Com Certeza”, “O Que Você Disse”, “Tô no Barato” e “Se Liga Naty Dread” foram algumas das músicas contempladas na apresentação.

Depois, foi a vez de Criolo e sua banda dominarem o palco do Luso Brasileiro, começando por “Convoque seu Buda”, música que também dá nome ao último disco lançado pelo músico, em 2014. Com uma performance inagualável, Criolo exalou emoção ao expressar através de suas canções sentimentos e críticas. Mostrou também a pluralidade de seu rap, com o samba em “Fermento pra Massa” e reggae na “Pé de Moleque”, além de outras influências que integram o repertório no cenário hip-hop.


Direto de Niterói, o grupo de rap Oriente fechou a noite. Bruno Silva foi quem deu os primeiros acordes com seu violino, introduzindo os versos de Nissin Instantâneo e Chino. Cantaram diversas músicas do disco “Desorientado”, como “Ideologia” e “Vagabundo Também Ama”, e deram uma prévia do próximo álbum, “Yin Yang”, com as canções já lançadas como singles “O Exército de Ninguém” e “Nome aos Bois”, além dos improvisos e beatbox de Geninho. Com críticas a artistas pops da atualidade, Oriente clamou pela contra-cultura e reinvidicou justiça na política brasileira ao iniciar um coro contra o presidente da Câmara Eduardo Cunha.


Com a aproximação do sol, se encerrava o Encontro das Tribos em São José dos Campos, que deixou marcado na história do Luso grandes nomes da música atual reunidos numa mesma noite.

Confira também a galeria de fotos do evento feita pelo Entre Bandas: 
(Você também pode ver o álbum das fotos clicando aqui).

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Entrevista Móveis Coloniais de Acaju

Camila Pasin

Confira só a conversa que tivemos com André Gonzales e Eduardo Borém, do Móveis Coloniais de Acaju, sobre os dez anos do disco "Idem" e mais: 


Para saber mais sobre o show, que aconteceu no sábado (10) no Sesc São José dos Campos, e ver a galeria de fotos dessa animada festa, clique aqui.

Valeu, Móveis!

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A receita de Móveis Coloniais de Acaju para diversão


Camila Pasin

A noite de sábado (10) no Sesc São José dos Campos foi em clima de festividade. Em comemoração aos dez anos do disco “Idem”, o grupo Móveis Coloniais de Acaju inundou o ginásio da casa com muita música, dança e energia. Com início às 20h, o show contagiou o público presente até as últimas notas transmitidas, e deixou mais que explicado o porquê de se celebrar o aniversário do primeiro álbum da banda.


“Feijoada búlgara” é a expressão encontrada pelos integrantes do Móveis para descrever suas canções, mesmo que seja para “definir sem definir nada”, como brinca Eduardo Borém, em entrevista ao Entre Bandas. A dificuldade de caracterizar as composições em palavras se dá por conta da diversidade de influências que as compõem. Os ritmos não se restringiram aos termos brasilienses - região onde nasceu a banda, no Distrito Federal -, longe disso, as músicas trazem elementos de todo o Brasil e do mundo, principalmente do leste europeu com o rock e ska. Ou seja, mistura e diversão é o que não falta.


(Saiba mais: Assista a entrevista completa do Entre Bandas com André Gonzales e Eduardo Borém, aqui)

Mas espera que a festa só está começando. Os animados ritmos do pessoal do Móveis Coloniais de Acaju inspiraram amores. No meio do show, alguns integrantes desceram do palco e organizaram uma roda em meio à plateia. Quem mais se surpreendeu com o que aconteceu a seguir foi a técnica de nutrição Ieda de Oliveira, com o pedido de casamento de seu namorado Bhayan, mecânico aeronáutico, ali mesmo, no meio da roda. A resposta foi sim, e esse momento especial trouxe ainda mais emoção à noite, que se encerrou com um coro de parabéns ao flautista Beto Mejía, aniversariante do dia.


Bem, já que em palavras é difícil descrever, confira a galeria de fotos desse mágico show:
(Você também pode ver o álbum das fotos clicando aqui).

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Hip Hop: Elemento transformador

O Djing é um dos cinco elementos formadores do Hip Hop (Foto: Camila Pasin)

Por Camila Pasin, Isabela Romitelli, Nathália Rocha e William Orima


O interior tem voz. O nome do primeiro álbum de Coruja BC1, rapper bauruense, faz muito sentido quando se observa os arranjos produtivos em torno do movimento hip hop no contexto da cidade de Bauru, interior de São Paulo. MCs, DJs, grafiteiros, b-boys e b-girls, produção e difusão de conteúdo. Exploram-se os cinco elementos do movimento hip hop, o que se traduz em coletivos culturais, eventos e debates que envolvem o movimento e das questões que ele aborda. “Pra gente, na nossa cidade, faltavam apoio e incentivo de entidades públicas e privadas, quadro que vem mudando por conta do grande trabalho realizado pelo Ponto de Cultura Acesso Hip Hop, que vem fomentando e estimulando a cultura em nossa cidade. Hoje, muitos dos talentos que vêm sendo revelados em Bauru saem da cidade e recebem apoio total do Ponto de Cultura”, analisa Coruja. No final de semana do dia 15 de agosto, foi inaugurada a Casa da Cultura Hip Hop. O evento contou com shows, debates e saraus, e foi um exemplo da forma como pretendem atuar os movimentos que articulam o cenário do hip hop bauruense.

Coruja BC1 (Foto: Camila Pasin)

Ao longo do ano, serão oferecidas na Casa oficinas dos quatro elementos, isto é, Graffiti, Rap, Breaking e DJ. O espaço promoverá debates e reuniões entre coletivos como a Biblioteca Móvel – Quinto Elemento, coletivo de artes e literatura, e a Frente Feminina de Hip Hop de Bauru, coletivo formado pelas mulheres que compõem a cena local por meio de saraus e ações sociais.



Dos EUA às quebradas brasileiras

O hip hop nasceu como um movimento periférico e plural em termos de produção cultural, contemplando música, pintura, dança e conhecimento. Teve origem da década de 1970 em comunidades latino-americanas, jamaicanas e afro-americanas da cidade de Nova York e, segundo Afrika Bambaataa, considerado o pai do movimento, surgiu com a proposta de acabar e criticar – através da arte – a violência em que estavam imersas as gangues dos guetos norte-americanos.

Dos guetos dos Estados Unidos às periferias daqui, a expressão brasileira do movimento nasceu nas quebradas. Nas letras dos MCs e nos muros grafitados, a realidade das comunidades pobres.

“Sempre fui sonhador, é isso que me mantém vivo/Quando pivete, meu sonho era ser jogador de futebol, vai vendo/Mas o sistema limita nossa vida de tal forma/Que tive que faze minha escolha, sonhar ou sobreviver/Os anos se passaram e eu fui me esquivando do ciclo vicioso”, os versos, da música Vida é Desafio, do Racionais MCs, uma das mais antigas e importantes bandas do rap nacional, expressam em tom de crítica a vida na periferia.

Grafiiti nas ruas bauruenses (Foto: Camila Pasin)
Canela Beats, DJ e produtor musical, falou sobre a importância do rap enquanto ferramenta de crítica social e comentou a ligação que tem com a periferia. “A quebrada é muito importante, o hip hop nasceu nas quebradas e sempre vai estar lá, quanto mais as comunidades apoiarem cada vez mais o movimento, melhor pra cidade, pras crianças e pro próprio movimento, sem a quebrada não existe o hip hop”.

Embora tenha nascido na periferia, o movimento tem ganhado relevância. Grafiteiros alcançam destaque nacional e internacional. Rappers são chamados a programas em grandes emissoras de televisão. Apropriam-se dos espaços de difusão para pautarem questões sociais, como o racismo e a pobreza. Mas, segundo Camila Pinheiro, integrante da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru, ainda há preconceitos.

Camila Pinheiro, integrante da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru (Foto: WIlliam Orima)
“A gente vê que houve uma melhora, mas a música ainda não tem uma repercussão tão grande na mídia. Há uma aceitação entre aspas, o hip hop ainda é visto com preconceito. Não há interesse nenhum da sociedade e da mídia para que nossa voz seja ecoada, somos podados sempre e estereotipados. Tentam fazer com que nossa voz cale”, afirmou Camila.

Outras vozes

“Rima pesada basta, eu falo memo, igual Tim Maia/Devasta esses otário, tipo calendário Maia/Feminismo das preta bate forte, mó treta/Tanto que hoje cês vão sair com medo de bu*/Drik Barbosa, não se esqueça/Se os outros é de tirar o chapéu, nóiz é de arrancar cabeça”. O trecho de Mandume, música de Emicida que reúne vários artistas, mostra um novo cenário no hip hop. Embora a participação das mulheres no movimento não seja nova – em 1986, artistas como Sharilayne já questionavam o machismo do setor -, a maior presença feminina e a autoafirmação de artistas enquanto vozes importantes e políticas dentro do rap e do hip hop é recente.

“Graças a um grupo de mulheres que vieram antes de nós, as mulheres conseguem articular e fazer o hip hop acontecer independente dos homens. Não só com a música, temos grafites muito bons de mulheres, e que não deixam passar a questão do feminismo”, pontuou Karol Lombardi, integrante da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru.

Karol de Souza, rapper curitibana (Foto: Camila Pasin)
A pluralidade de vozes não se restringe às mulheres. Ter, em um meio predominantemente masculino e masculinizado, um rapper assumidamente gay afirmando em suas rimas a sua sexualidade, também representa uma maior abertura do setor. É o caso de Rico Dalasam em sua música Aceite-C: “boy, eu quero ser seu man”. Em entrevista ao Uol, ele falou sobre a importância de se quebrar essas barreiras. “O próximo estágio é estar todo o mundo ali no mesmo espaço, casais, todo o mundo convivendo por uma visão maior. O hip-hop é bem mais.”.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O acorde é underground

Camila Pasin

Face às novas tecnologias e possibilidades midiáticas, a música independente ganha força no cenário nacional e interiorano
Saiba mais sobre as vantagens e dificuldades da cena autoral no interior de São Paulo


Ritmo é o que não falta no cenário musical brasileiro. Ritmo não só pela multiplicidade de estilos e gêneros aqui produzidos, mas também ritmo de mudança. O que antes era considerado como uma tarefa substancialmente difícil pelos artistas independentes, a de se conquistar reconhecimento e - principalmente - público, hoje tornou-se mais simples, graças às novas possibilidades oferecidas pela internet e plataformas de mídia alternativas. Apesar de as dificuldades ainda se mostrarem incisivas nesses e em outros fatores, há diversos novos caminhos para se trilhar, tornando a música autoral independente uma das novas apostas da atualidade para os artistas desse ramo. 


Com a internet e a crise da indústria fonográfica, foi necessária a reformulação de estratégias de produção e divulgação, de forma a atingir o público certo com eficácia. Os artistas deixaram de investir na produção de álbuns físicos para a venda em lojas e passaram a utilizar a tecnologia como instrumento de trabalho. Redes sociais, aplicativos de música, dispositivos móveis, Youtube e portais se tornaram grandes protagonistas no processo de consumo musical, o que facilita a produção independente. Além disso, deve ser levado em conta o lado financeiro. Apesar de ser necessário o investimento em equipamentos e espaços para ensaio e gravação, a economia quando se trabalha de forma autônoma é considerável, ainda mais tratando-se de grandes gravadoras, que cobram um alto valor pelo contrato. Sem contar com a liberdade de criação que ilustra o cenário independente, onde as bandas podem produzir sem precisar se prender aos estilos usualmente contemplados pela grande mídia, o mainstream. 

Enquanto que em décadas atrás, principalmente nos anos 90, as bandas batalhavam para fechar contratos com grandes gravadoras e, assim, ganhar notoriedade, atualmente o movimento é inverso. O espaço à cena underground segue em constante expansão, e até mesmo bandas que antes produziam ao lado de gravadoras voltaram ao meio independente, como o grupo de reggae Planta e Raiz. “A diferença é que agora nós conseguimos andar com as próprias pernas e conseguimos produzir a nossa própria música, nosso próprio disco. Acabamos transferindo uma energia muito maior pelo envolvimento mais intenso da banda com a produção do disco”, afirma o baixista Samambaia, em entrevista para o blog Entre Bandas. Já para Digão, vocalista do Raimundos, outra banda conhecida nacionalmente que voltou ao cenário underground, do qual ele declara se orgulhar muito, a liberdade criativa para produção das canções manteve-se estável, com a gravadora e sem ela. “Graças a Deus temos uma carreira sólida e, apesar de não dispor do alcance de antigamente, a nossa credibilidade com nossos fãs nos mantém em uma posição bastante agradável”, conta também em entrevista.

Confira as duas entrevistas na íntegra: 

O cenário independente no interior 

Longe dos holofotes das capitais e também das grandes produtoras, as bandas independentes do interior de São Paulo usufruem das oportunidades que se inserem fora do mercado comercial tradicional. É assim que a banda piracicabana Victor e o Gramofone, e os grupos bauruenses La Burca e Samanah desenvolvem seu som e o compartilham com o público, seja pela internet ou pela apresentação em shows e festivais. Apesar do menor fluxo de eventos e possibilidades de que dispõe o centro-oeste paulista em comparação com os grandes centros urbanos, há a vantagem de ter menos concorrência e, assim, poder atingir o público com mais facilidade, conforme apontam os integrantes do Victor e o Gramofone.



Já Amanda Rocha, do duo La Burca, afirma que mesmo com esse cenário constante, há um movimento de bandas, o que é importante para fortalecer o som autoral, incentivado por bares que realizam festivais e shows exclusivos para grupos independentes. “Foram anos de inércia – digo por parte dos estabelecimentos - e parece que, de repente, as coisas começam a fluir mais”, conta. Thales Mendes, vocalista e guitarrista do Samanah, aponta, ainda, a maior fidelização com o público estabelecida no interior, vínculos que são mais difíceis de criar dentro da variedade de eventos e bandas das capitais. 

Cada qual com seu estilo e segmento - o pós-punklore performático de La Burca, o rock swingado de Samanah e as notas suaves e alegres de Victor e o Gramofone - as três bandas criam estratégias e conquistam seu espaço no interior e no mundo, graças ao empenho para levar esse sonho adiante, ao incentivo local e, claro, a internet. É o que afirma os piracicabanos do Victor e o Gramofone: “A internet encurtou as distâncias, conectou e trouxe infinitas possibilidades a todos que a utilizam. Qualquer banda pode divulgar e levar a sua música para qualquer lugar do mundo. Hoje é possível fazer shows ao vivo online e únicos, e ainda exibí-los em tempo real a qualquer computador, celular ou tablet no mundo”. Thales, do Samanah, também destaca a importância da internet na consolidação do trabalho independente: “Sem ela acredito que não conseguiríamos circular tanto, vender shows e, principalmente, não teríamos onde divulgar nosso trabalho, já que a abertura de rádios e televisão é muito pequena”.

Amanda Rocha, da banda La Burca (Foto: Jonas Lírio)
Porém, além das plataformas virtuais, ainda é essencial o contato físico com o público e a música em si, sem se desprender às raízes do underground nacional. E esse contato é muito valorizado pelas bandas. Amanda Rocha juntamente com Lucas Scb fazem dos shows do La Burca verdadeiras apresentações artísticas, levando aos palcos o “ato performático instintivo de tocar”, com a pintura em seus rostos e a conexão com os instrumentos. “Acho massa que adultos e crianças piram com isso, inclusive já pintei várias vezes a molecada que aparece em shows - e adultos também (risos)”, conta Amanda. 

Ensaio Samanah (foto: Jonas Lírio)
Outro fator imprenscindível ao fortalecimento da música independente no contexto interiorano é a união entre as bandas e o incentivo mútuo. “Muitas vezes são as bandas que fazem os eventos em coletivo, alugamos alguma casa de shows e dividimos a portaria. Assim, ajudamos a divulgar umas as outras, e essa união é o que constrói a cena na cidade. Conseguimos fidelizar um público maior e sempre acaba rolando algum evento com banda autoral, o que ajuda a fomentar a cena”, assegura Thales, o qual também evidencia a importância da valorização das músicas autorais, de forma a fugir da cultura do cover, que, muitas vezes, acaba atraindo mais o público em casas de shows. 

Então, conheça melhor o trabalho de Victor e o Gramofone, La Burca e Samanah:

Victor e o Gramofone
Site: http://tnb.art.br/rede/victoreogramofone
Músicas: disponíveis para ouvir online em plataformas como SoundCloud, Reverbnation, Facebook, etc. Para download, no BandCamp. Em breve, discos físicos do primeiro EP da banda.

La Burca
Site: http://tnb.art.br/rede/laburca
Músicas: disponíveis para download gratuito, e venda do EP “LA BURCA” em shows e encomenda, no formato de disco físico produzido artesanalmente, por 10 reais.

Samanah
Site: http://samanah.tnb.art.br/
Músicas: disponíveis para download gratuito, e vídeos no Youtube.