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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

V Semana do Hip Hop promove diversas atividades culturais gratuitas em Bauru


Com oficinas e debates, a Semana Municipal do Hip Hop de Bauru chega à sua quinta edição com grandes shows e mostra audiovisual

2015 é o ano do Hip Hop e em Bauru, o movimento se consagra como um dos maiores articuladores políticos, culturais e sociais da cidade. Depois de mais de 20 anos de luta, em agosto inauguramos a Casa do Hip Hop de Bauru e para celebrar mais esta conquista, a V Semana Municipal traz shows de artistas regionais e de renome nacional como Rapadura MC, Inquérito, Crônica Mendes, Thaíde, Banks BackSpin, Marcelinho BackSpin, Dj Erick Jay e Emicida. No palco Interior tem voz, contaremos com a participação especial de Crônica Mendes e outros convidados. Em parceria com o SESC, haverá também o show inédito de Tássia Reis, na quarta-feira 11 de novembro, representando a força e o poder das mulheres na cultura Hip Hop.

Há dois anos, a Semana Municipal de Hip Hop de Bauru se tornou política pública por meio de mobilização social pela criação e aprovação da Lei 6258/2013. Dessa maneira, a Secretaria de Cultura se tornou uma parceira para a realização da III Semana Municipal do Hip Hop naquele ano e de lá para cá, a parceria e as atividades conjuntas só tem aumentado.

A Semana. Desde 2011, a Semana Municipal do Hip Hop de Bauru é organizada pelo Ponto de Cultura Acesso Hip Hop de maneira independente, horizontal e repleta de parcerias. Uma das atividades consagradas do festival é a realização do Combo 5 Elementos nas escolas municipais e estaduais da cidade durante a Semana do Hip Hop. O projeto leva conhecimento e mini-oficinas dos cinco elementos do Hip Hop (graffiti, breaking, DJ, Rap e conhecimento) para escolas municipais e estaduais, incluindo centros de reabilitação. O projeto  também conta com a participação da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru que levanta questões de gênero para estudantes das escolas, chamando atenção para igualdade de gênero e para a violência doméstica como um problema social e coletivo.

Além disso, o festival também traz importantes debates sobre o movimento Hip Hop regional e sobre os movimentos negro e periférico. Em 2015, acontecerá a I Feira de Economia Solidária de Produtos do Hip Hop  do Estado de São Paulo durante os últimos dois dias da Semana. Ao longo do sábado, 14 de novembro , também acontecerá um debate sobre Economia Solidária com representantes da Rede Nacional das Casa da Cultura Hip Hop e Empreendimentos Solidários, professores universitários e pequenos empreendedores.

Neste ano, a Casa do Hip Hop de Bauru também tem uma novidade muito especial, ainda vinculada à economia solidária e à sustentabilidade do meio ambiente e dos modos de produção. No dia 07 de novembro acontecerá o lançamento da coleção oficial de roupas da instituição, na Estação ferroviária. Com estampas originais e desenvolvidas especialmente para o público bauruense, o desfile de moda “Favela Fashion Zic” privilegia os elementos da cultura e ícones de resistência.


Grupo Inquérito participa da abertura da V Semana do Hip Hop de Bauru
(Créditos: Felipe Moreno e Lucas Rodrigues)
Outro momento importante é a realização do II Fórum Municipal de Hip Hop de Bauru, que acontecerá no SESC, também no dia 7, para o levantamento de demandas, análises de conjuntura do movimento local e balanço de conquistas no último ano. Também serão exibidos documentários e filmes como Profissão MC, Dogtown e O Rap pelo Rap, nos bairros Mary Dota, Geisel e na Casa do Hip Hop.

Programação. A Semana Municipal do Hip Hop de Bauru vai acontecer de 6 a 15 de novembro, com TODAS as atividades gratuitas na Estação Ferroviária, Casa do Hip Hop de Bauru, Sesc Bauru e parque Vitória Régia.

Dia 6/11 - Sexta-feira
Abertura da Exposição “Quem é quem?” do Coletivo Urbano de Arte- CURA de São Paulo.
Horário: 19h
Local: Estação Ferroviária de Bauru.

Cine Hip Hop
Filme: Os Reis de Dogtown (história do skate nos EUA)
Local: Centro Unificado das Artes e do Esporte - Rua Maria José Silvério dos Santos com Avenida Lúcio Luciano, Bauru 22/ região do Jardim Redentor
Horário: 20h

Show Além da Rima e Banda
Horário: 21h
Local: Estação Ferroviária de Bauru.

Dia 7/11 - Sábado
Encontro Estadual de Graffiti
Horário: 9h
Local: Viaduto Nuno de Assis

Cortejo Hip Hop
Horário: 10h
Local: Calçadão da Batista de Carvalho.

II Fórum Municipal de Hip Hop de Bauru
Horário: 14h
Local: Sesc Bauru (Av. Aureliano Cárdia 6-71)

Desfile de moda urbana “Favela Fashion Zic”
Lançamento da coleção de moda Casa da Cultura Hip Hop de Bauru, desenvolvido por BlacStar Design. Discotecagem DJ Moonhbeats
Horário: 20h
Local: Estação Ferroviária de Bauru

Dia 8/11 - Domingo
Abertura Cultural da Semana do Hip Hop 2015
Shows com Inquérito, Rapadura, Thaide e artistas de Bauru (Além da Rima, Brisa MC, Issa Paz, JotaF, Abaomi)
Horário: 14h
Local: Parque Vitória Régia

Dia 9/11 - Segunda-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h
Local: Escola Estadual Morais Pacheco. (R. Primeiro de Maio, 16-10. Parque Boa Vista)

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h
Local: Escola Estadual Morais Pacheco. (R. Primeiro de Maio, 16-10 - Parque Boa Vista)
Oficina de Fanzine
Horário: 14h
Local: Casa do Hip Hop Bauru

Cine Hip Hop
Filme: Profissão MC
Horário: 20h
Local: Praça Celeste Fassone, Núcleo Habitacional Mary Dota (em frente à Escola Ada Cariani) - Avenida Dr. Marcos de Paula Rafael

Mesa redonda com o tema: “Redução da Maioridade Penal”
Horário: 20h
Local: Centro Cultural de Bauru

Dia 10/11 - Terça-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h
Local: Sorri Bauru. (Avenida Nações Unidas, 53-40 - Geisel)

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h
Local: Sorri Bauru. (Avenida Nações Unidas, 53-40 - Geisel)
Oficina de Fotografia
Horário: 19h
Local: Casa do Hip Hop Bauru
Oficina de Capoeira Angola
Horário: 19h30
Local: Casa do Hip Hop Bauru

Oficina de MC com JotaF e RapNobre
Horário: 19h30
Local: Casa do Hip Hop Bauru

Cine Hip Hop
Documentário: O RAP pelo RAP
Horário: 20h
Local: Casa do Hip Hop de Bauru

Dia 11/11 - Quarta-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h
Local: Escola Estadual Ver. Antônio Ferreira de Menezes. R. Cap. Mario Rossi, 9-37

Oficina de Graffiti
Horário: 9h
Local: Casa do Hip Hop Bauru
Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h
Local: Escola Municipal

Oficina de Dj com DJ Ding
Horário: 14h
Local: Casa do Hip Hop Bauru
Bate Papo: Produção Independente e mulheres no Hip Hop com Tássia Reis e Frente Feminina de Hip Hop de Bauru
Horário: 19h
Local: Sesc Bauru

Show com Tássia Reis
Horário: 21h
Local: Sesc Bauru

Dia 12/11- Quinta-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h
Local: Escola Profª Ada Cariani Avalone.  Av. Dr. Marcos de Paula Rafael, 1. Mary Dota.

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h
Local: CIPS Bauru. R. Inconfidência, 2-28 - Centro
Oficina de DJ com DJ Scratch
Horário: 14h
Local: Casa do Hip Hop Bauru
Oficina de Stencil
Horário: 14h
Local: Casa do Hip Hop Bauru

Workshop “Nos tempos da São Bento” com Marcelinho BackSpin
Horário: 18h
Local: Sesc Bauru
Celebração do Dia Mundial do Hip Hop.
Apresentação dos 4 elementos que compõe a Cultura Hip Hop, Rap, Breaking, Graffiti, Dj + Batalha de Mcs.
Horário: 20h
Local: Casa do Hip Hop de Bauru

Dia 13/11 - Sexta-feira
Combo dos 5 Elementos
Horário: 9h
Local: Escola Municipal Geraldo Arone.  R. João Prudente Sobrinho - Nucleo Hab. Fortunato Rocha Lima, Bauru - SP

Oficina de Graffiti
Horário: 9h
Local: Casa do Hip Hop de Bauru

Combo dos 5 Elementos
Horário: 14h
Local: 13/11- 14h30 - Legião Mirim Endereço: Av. Dr Nuno Assis, 13050

Sarau do Viaduto especial Semana do Hip Hop com Banks Back Spin
Horário: 20h
Local: Avenida Nações Unidas, embaixo do viaduto da Duque de Caxias

Dia 14/11 - Sábado
Cortejo Hip Hop
Horário: 10h
Local: Calçadão da Batista de Carvalho
Batalha de Breaking
Horário: 13h
Local: Casa do Hip Hop Bauru
I Feira de Economia Solidária de produtos do Hip Hop do Estado de São Paulo.
Horário: 14h-22h. Debate sobre Economia Solidária às 15h.
Local: Parque Vitória Régia

Palco Interior tem voz
Shows com Crônica Mendes, CURA e grupos de Bauru: DJ Ding, Bruno BL, Negra Lud, Preta Rara, Dois1Dois, Daniel G e Pqenoh.
Horário: 17h
Local: Anfiteatro Vitória Régia

Dia 15/11 - Domingo
I Feira de Economia Solidária de produtos do Hip Hop do Estado de São Paulo.
Horário: 14h-22h
Local: Parque Vitória Régia

Encerramento da Semana Municipal do Hip Hop 2015
Shows com Feniks, David MC, Betin MC, Curta Metragem, Thiago NGO, DJ Erick Jay, Menti Blindada e Emicida
Local: Parque Vitória Régia

Realização.  A V Semana Municipal do Hip Hop de Bauru é realizada em parceria entre Ponto de Cultura Acesso Hip Hop, Instituto Acesso Popular, Casa do Hip Hop de Bauru, Secretaria Municipal de Cultura, Museu da Imagem e do Som de Bauru, Frente Feminina de Hip Hop de Bauru, Biblioteca Móvel Quinto Elemento e promoção TV TEM.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Hip Hop: Elemento transformador

O Djing é um dos cinco elementos formadores do Hip Hop (Foto: Camila Pasin)

Por Camila Pasin, Isabela Romitelli, Nathália Rocha e William Orima


O interior tem voz. O nome do primeiro álbum de Coruja BC1, rapper bauruense, faz muito sentido quando se observa os arranjos produtivos em torno do movimento hip hop no contexto da cidade de Bauru, interior de São Paulo. MCs, DJs, grafiteiros, b-boys e b-girls, produção e difusão de conteúdo. Exploram-se os cinco elementos do movimento hip hop, o que se traduz em coletivos culturais, eventos e debates que envolvem o movimento e das questões que ele aborda. “Pra gente, na nossa cidade, faltavam apoio e incentivo de entidades públicas e privadas, quadro que vem mudando por conta do grande trabalho realizado pelo Ponto de Cultura Acesso Hip Hop, que vem fomentando e estimulando a cultura em nossa cidade. Hoje, muitos dos talentos que vêm sendo revelados em Bauru saem da cidade e recebem apoio total do Ponto de Cultura”, analisa Coruja. No final de semana do dia 15 de agosto, foi inaugurada a Casa da Cultura Hip Hop. O evento contou com shows, debates e saraus, e foi um exemplo da forma como pretendem atuar os movimentos que articulam o cenário do hip hop bauruense.

Coruja BC1 (Foto: Camila Pasin)

Ao longo do ano, serão oferecidas na Casa oficinas dos quatro elementos, isto é, Graffiti, Rap, Breaking e DJ. O espaço promoverá debates e reuniões entre coletivos como a Biblioteca Móvel – Quinto Elemento, coletivo de artes e literatura, e a Frente Feminina de Hip Hop de Bauru, coletivo formado pelas mulheres que compõem a cena local por meio de saraus e ações sociais.



Dos EUA às quebradas brasileiras

O hip hop nasceu como um movimento periférico e plural em termos de produção cultural, contemplando música, pintura, dança e conhecimento. Teve origem da década de 1970 em comunidades latino-americanas, jamaicanas e afro-americanas da cidade de Nova York e, segundo Afrika Bambaataa, considerado o pai do movimento, surgiu com a proposta de acabar e criticar – através da arte – a violência em que estavam imersas as gangues dos guetos norte-americanos.

Dos guetos dos Estados Unidos às periferias daqui, a expressão brasileira do movimento nasceu nas quebradas. Nas letras dos MCs e nos muros grafitados, a realidade das comunidades pobres.

“Sempre fui sonhador, é isso que me mantém vivo/Quando pivete, meu sonho era ser jogador de futebol, vai vendo/Mas o sistema limita nossa vida de tal forma/Que tive que faze minha escolha, sonhar ou sobreviver/Os anos se passaram e eu fui me esquivando do ciclo vicioso”, os versos, da música Vida é Desafio, do Racionais MCs, uma das mais antigas e importantes bandas do rap nacional, expressam em tom de crítica a vida na periferia.

Grafiiti nas ruas bauruenses (Foto: Camila Pasin)
Canela Beats, DJ e produtor musical, falou sobre a importância do rap enquanto ferramenta de crítica social e comentou a ligação que tem com a periferia. “A quebrada é muito importante, o hip hop nasceu nas quebradas e sempre vai estar lá, quanto mais as comunidades apoiarem cada vez mais o movimento, melhor pra cidade, pras crianças e pro próprio movimento, sem a quebrada não existe o hip hop”.

Embora tenha nascido na periferia, o movimento tem ganhado relevância. Grafiteiros alcançam destaque nacional e internacional. Rappers são chamados a programas em grandes emissoras de televisão. Apropriam-se dos espaços de difusão para pautarem questões sociais, como o racismo e a pobreza. Mas, segundo Camila Pinheiro, integrante da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru, ainda há preconceitos.

Camila Pinheiro, integrante da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru (Foto: WIlliam Orima)
“A gente vê que houve uma melhora, mas a música ainda não tem uma repercussão tão grande na mídia. Há uma aceitação entre aspas, o hip hop ainda é visto com preconceito. Não há interesse nenhum da sociedade e da mídia para que nossa voz seja ecoada, somos podados sempre e estereotipados. Tentam fazer com que nossa voz cale”, afirmou Camila.

Outras vozes

“Rima pesada basta, eu falo memo, igual Tim Maia/Devasta esses otário, tipo calendário Maia/Feminismo das preta bate forte, mó treta/Tanto que hoje cês vão sair com medo de bu*/Drik Barbosa, não se esqueça/Se os outros é de tirar o chapéu, nóiz é de arrancar cabeça”. O trecho de Mandume, música de Emicida que reúne vários artistas, mostra um novo cenário no hip hop. Embora a participação das mulheres no movimento não seja nova – em 1986, artistas como Sharilayne já questionavam o machismo do setor -, a maior presença feminina e a autoafirmação de artistas enquanto vozes importantes e políticas dentro do rap e do hip hop é recente.

“Graças a um grupo de mulheres que vieram antes de nós, as mulheres conseguem articular e fazer o hip hop acontecer independente dos homens. Não só com a música, temos grafites muito bons de mulheres, e que não deixam passar a questão do feminismo”, pontuou Karol Lombardi, integrante da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru.

Karol de Souza, rapper curitibana (Foto: Camila Pasin)
A pluralidade de vozes não se restringe às mulheres. Ter, em um meio predominantemente masculino e masculinizado, um rapper assumidamente gay afirmando em suas rimas a sua sexualidade, também representa uma maior abertura do setor. É o caso de Rico Dalasam em sua música Aceite-C: “boy, eu quero ser seu man”. Em entrevista ao Uol, ele falou sobre a importância de se quebrar essas barreiras. “O próximo estágio é estar todo o mundo ali no mesmo espaço, casais, todo o mundo convivendo por uma visão maior. O hip-hop é bem mais.”.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Festival 4 Elementos


Camila Pasin

Cultura, arte, paz, espiritualidade e conhecimento. Foi a partir desses princípios que o Festival 4 Elementos foi idealizado e cristalizado nos dias 19, 20 e 21 de Setembro de 2014, em sua primeira edição. A programação era diversificada, mas sempre levantando uma mesma bandeira: a da paz. Apresentações musicais, circenses, oficinas, rodas de trocas de ideias e outras atrações foram distribuídas entre os diferentes espaços no Thermas de Piratininga, cidade vizinha de Bauru, interior de São Paulo.

A estrutura contou com áreas de camping para o pessoal se acomodar durante as 52 horas de festival; a Tenda de Circo, coração do evento, onde aconteciam os shows, danças e algumas oficinas, além de ser um local de convivência e descanso, perto da área de alimentação e tendas com trabalhos artesanais; a Tenda de Oficinas; o Chill Out, onde também rolavam outras atrações musicais, com DJs durante todo o tempo; a Fogueira que, além de aquecer e iluminar a noite, foi palco de cerimônias e luais; ao lado, a Tenda de Cura, onde aconteceram terapias e massagens; o Palco Primavera, local onde se concentravam as palestras e trocas de ideias sobre diversos temas que envolviam agricultura, sustentabilidade, cultura de paz, entre outros; o Lago, que trouxe diversão às crianças no domingo de sol, com tobogã e oficinas de stand up yoga; e a Tenda de Oficinas, onde houve trocas de conhecimentos e aprendizagem.

Com esse espaço tão plural e pacífico, o Festival 4 Elementos conquistou não só os jovens, como também adultos, idosos e crianças, as quais ofereceram um brilho especial ao final de semana. Quem também chegou logo no primeiro dia de festival, mas foi embora no sábado, foi a chuva que, apesar de ter atrapalhado um pouco na montagem de algumas barracas e na realização de certas atrações ao ar livre, trouxe um frescor positivo em face ao calor interiorano característico da região.

Impossível é descrever em palavras as cores e essência da edição primaveril do Festival 4 Elementos. Veja um pouco disso na cobertura fotográfica, realizada pelo Entre Bandas, dos três dias de festival:



sábado, 17 de maio de 2014

A rua é nóis!

Foto: Mariana Duré
 Camila Pasin

Nessa quarta-feira, 14 de maio, Bauru novamente afirmou que o interior tem voz. A cidade, palco de um ascendente cenário hip-hop, recebeu o rapper Emicida em um show marcante no Sesc. Quem esperava encontrar ali só o rapper com um microfone na mão ficou impressionado com a quantidade de instrumentos e ritmos que compunham as músicas. Tambor, berimbau e guitarra acompanhavam os discos do DJ Nyack. E os instrumentistas fizeram um show à parte com suas coreografias e sintonia.

A última vez que Emicida havia se apresentado em Bauru foi em 2011 no festival Canja, evento realizado pelo Enxame Coletivo que reúne diversas formas de manifestação cultural. Nesses três anos de diferença, é notável a mudança pela qual o rapper passou, tanto na composição das canções quanto nos ritmos mas, claro, sem deixar para trás as batidas tradicionais de seu rap. O álbum “O Glorioso Retorno de Quem nunca Esteve Aqui” , produzido de forma independente pela gravadora Laboratório Fantasma e lançado em 2013, traz influências do MPB e samba, além da participação de artistas como Pitty, Tulipa Raiz e MC Guimê. A emocionante canção Crisântemo, que trata sobre a relação de Emicida com seu pai, falecido quando o rapper ainda era criança, tem a participação especial de Dona Jacira, mãe de Emicida, tocando o coração de quem ouve.

Foto: Mariana Duré
“O interior tem voz”. Foi nesse coro que o rapper bauruense Coruja BC1 subiu ao palco, deixando até Emicida sem palavras, “respeitei”, foi o que ele disse após essa fervorosa entrada e imediata conexão com o público. Renan Inquérito também teve participação no show, fazendo um belo dueto com Emicida e trocando diversas rimas. O sambista Jair Rodrigues, falecido recentemente, também foi lembrado e homenageado no show.

Depois de muito rap, rima, funk, romance e bom humor, foi no samba que Emicida encerrou seu show, sendo “O trem das onze”, de Adoniran Barbosa, uma das últimas canções da setlist. Mais uma vez, a música brasileira mostrou-se cada vez mais integrada entre seus ritmos e nuances.

Foto: Mariana Duré

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Red Hot Chili Peppers traz seu rock californiano ao Brasil

Camila Pasin

São Paulo recebe mais uma vez os rockeiros do RHCP, com um repertório variado durante as duas horas de show

São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro foram as cidades que receberam 
o grupo RHCP pela turnê "I'm With You" (Foto: Camila Pasin) 
 A expectativa quanto aos shows da banda californiana Red Hot Chili Peppers no Brasil era grande. No momento em que foi divulgado que o grupo tocaria em solo brasileiro novamente, a surpresa dos fãs foi inevitável, já que só faziam dois anos desde a última vez que os rockeiros vieram para o país, também pela turnê do disco “I’m With You”. Em 2013, as cidades que serviram de palco para o show do Red Hot Chili Peppers foram Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.

O show em São Paulo aconteceu no dia 7 de novembro. Apesar de ser uma quinta-feira nublada, mais de 30 mil pessoas compareceram à Arena Anhembi para pular e cantar junto com o vocalista Anthony Kiedis, o baixista Flea, o baterista Chad Smith e o mais novo integrante da banda, Josh Klinghoffer, na guitarra. A abertura do show ficou por conta do trio indie rock Yeah Yeah Yeahs, comandado pela estilosa Karen, no vocal. Mas era difícil segurar a ansiedade para o ponteiro do relógio atingir 22 horas, horário previsto para o início da atração principal.

E foi exatamente às 22h05 que o RHCP entrou em cena. Quando Josh começou a dedilhar as primeiras notas de “Can´t Stop”, o público já começou a comemorar. A próxima foi “Dani California”, do disco “Stadium Arcadium” (2006). E, logo depois, do álbum “Californication” (1999), a canção “Otherside”. A escolha das músicas iniciais para a setlist não poderia deixar os fãs mais empolgados, os quais tinham grandes expectativas quanto às antigas. Contudo, canções como “Monarchy of Roses”, que abriu o show do grupo no Rock in Rio 2011, “Look Around”, “The Zephyr Song” e “Scar Tissue” não estavam presentes na setlist, ao contrário de “Higher Ground”, cover de Stevie Wonder.

Com um repertório variado, a banda mostrou uma forte sintonia com o público ao longo do show. O baixista Flea foi quem mais conversou com a plateia entre uma música e outra, demonstrando seu carinho pelo Brasil. Com o cabelo tingido de roxo e com toda sua energia incessável, Flea mostrou que o tempo não o fez perder o ritmo e nem o gingado. Impressionando a todos com a sua habilidade com o baixo, Flea, com 41 anos de idade, dançou, pulou, plantou bananeira e deu até estrelinha no palco.

Ritmos brasileiros também fizeram parte do show. O percursionista Mauro Refosco, nascido em Santa Catarina, contribuiu para essa sintonia, trazendo para a Arena Anhembi um toque de samba e funk. Além disso, utilizou, em algumas músicas, a cuíca, instrumento de origem afro-brasileira. Mauro já possuía uma ligação com o Red Hot Chili Peppers, pois foi convidado por Flea, em 2010, para participar da gravação do disco “I’m With You”. Desde então, participa dessa turnê ao lado do Red Hot, inclusive no Rock in Rio de 2011.

Com “jam sessions” entre as músicas, os integrantes deixaram o palco após tocarem “Californication” e “By the Way”. Mas voltaram com todo gás para o bis, que contou com “Around the World”, “Meet me at the Corner” e a agitada “Give it Away”, fechando com chave de ouro as duas horas de Red Hot Chili Peppers na Arena Anhembi.

Fãs de todo o Brasil marcam presença no evento

Guillermo, Fanny, Federico, Tamara e Ramiro foram em 
família curtir o som do Red Hot em SP (Foto: Tiago Gaeta) 
Cada um curtiu à sua maneira o show do RHCP na Arena Anhembi. A banda, que está completando 20 anos de carreira, possui uma diversidade de fãs muito grande, de variadas faixas etárias. O argentino Guillermo, que mora atualmente no Brasil, levou sua esposa e seus três filhos para assistir ao show do Red Hot, um gosto em comum entre eles. “Eu conheço a banda desde a adolescência, já faz parte da minha vida. Todos na minha casa ouvem e adoram!”.

Assim como Guillermo, Rodrigo Brito, de 30 anos, também acompanha a banda desde a sua adolescência e, por marcar tanto a sua vida, resolveu tatuar o símbolo do Red Hot Chili Peppers em seu peito, quando tinha uns 20 anos de idade. Apesar de se identificar mais com uma outra fase do grupo californiano, quando a guitarra ainda era comandada por John Frusciante, Rodrigo não pôde deixar de assistir a mais um show do Red Hot, sendo que já havia ido em 2002 e 2011. “Mesmo sabendo que os integrantes estão ficando mais velhos, a gente gosta de ver o Anthony Kiedis pirar no palco, ao som do baixo do Flea”, conta Rodrigo.

Rodrigo Brito é fã de RHCP desde sua adolescência e tatuou o símbolo da banda
 para representar a importância dela em sua vida (Foto: Tiago Gaeta)
Bauru também estava em peso no Anhembi! Saindo da Praça da Paz, uma excursão levou mais de 40 bauruenses, em sua maioria estudantes, para o show. Dílon Soubhia, organizador da caravana, conta que conseguiu lotar um ônibus rapidamente assim que foi confirmada a apresentação, apesar da dificuldade por ser uma quinta-feira. “Assim como eu, todos criaram uma expectativa muito grande em relação ao show, que foi recheado de clássicos. Acredito que valeu a pena cada centavo investido”, completa.

Amanda Menezes, de 15 anos, viajou de Santos até São Paulo só para ver sua banda preferida de pertinho. E ela não se arrependeu. Pelo contrário, a jovem saiu do Anhembi dizendo que foi o melhor show de sua vida. “Nunca gritei tanto na minha vida. Eu e minhas amigas pegamos a fila errada, levamos muito empurrão, quase desmaiamos, mas valeu a pena. Conseguimos assistir ao show da grade. Foi uma experiência e tanto!”, conta.